Visto D2 para Compra de Empresa em Portugal

Como investidores estrangeiros podem obter o Visto D2 (Empreendedor) através da aquisição de PMEs existentes em Portugal, detalhando requisitos de capital e plano de negócios.

Especialista M&A
16 min de leitura

O visto D2 compra empresa Portugal é a via de residência para cidadãos extra-UE que pretendem adquirir e gerir uma PME existente no país: o Visto D2 (empreendedor), previsto no artigo 89.º da Lei n.º 23/2007 (REPSAE), exige atividade empresarial real, meios de subsistência e um plano de negócios credível — sem capital mínimo legal fixo, ao contrário do Golden Visa. Em 23 de junho de 2026, a combinação «comprar empresa + D2» atrai sobretudo investidores brasileiros e norte-americanos que querem residência com operação activa, não apenas um título de investimento passivo.

É possível obter o Visto D2 comprando uma empresa existente em Portugal?

Sim. O regime do artigo 89.º da Lei n.º 23/2007 abrange a aquisição de empresa já constituída em Portugal. O requerente deve apresentar plano de negócios que demonstre viabilidade da operação pós-aquisição, comprovativo de meios financeiros para implementar o projecto e subsistir (em 2026, tipicamente 12 vezes o salário mínimo nacional — 11 040 € para requerente isolado), documentação da sociedade-alvo e prova de experiência profissional ou empresarial compatível com o sector.

Fonte: Lei n.º 23/2007 (REPSAE), art. 89.º; AIMA — consulta 23 jun 2026

Aviso: conteúdo informativo sobre M&A e imigração empresarial em Portugal, sem aconselhamento jurídico ou de imigração individual. Requisitos consulares, prazos AIMA e interpretação do plano de negócios variam por posto e perfil — valide com advogado de imigração e assessor M&A antes de comprometer capital.

11 040 € — meios mínimos de subsistência para requerente principal no Visto D2 em 2026 (12 × salário mínimo nacional de 920 €/mês, Orçamento de Estado 2026).


Fonte: prática consular alinhada com o indexante de subsistência migratório; não inclui o preço de aquisição da empresa.
Infográfico profissional em português: fluxo do Visto D2 através da compra de PME — due diligence, plano de negócios, pedido consular, visto D2, autorização de residência AIMA e gestão pós-aquisição.
Do LOI ao cartão de residência: o D2 exige operação real, não apenas título societário.

O que é o Visto D2 e porque a compra de PME encaixa

O Visto D2 destina-se a nacionais de países terceiros que pretendem exercer actividade empresarial independente ou criar ou adquirir empresa em Portugal (art. 89.º, n.º 1, al. b), Lei n.º 23/2007). Não confundir com o regime ARI (Golden Visa), que regula investimento com critérios de capital e manutenção distintos.

Para o investidor que já decidiu comprar uma PME — retalho, serviços B2B, restauração, clínica, logística de última milha — o D2 alinha residência com gestão activa. O consulado e a AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo) avaliam se o projecto é económica e socialmente relevante, não se o comprador apenas detém quotas sem intenção operacional.

Onde estou menos seguro: postos consulares em Washington, São Paulo e Luanda aplicam critérios de «relevância económica» com margens diferentes — anecdotally, aquisições abaixo de 150 000 € de equity em sectores saturados (cafés genéricos, agências digitais sem clientes) enfrentam mais pedidos de esclarecimento do que industrial leve com contratos B2B.

Posição assumida: para quem quer gerir o negócio no terreno, o D2 via compra de PME é, em junho de 2026, mais coerente do que o Golden Visa — desde que o deal seja substantivo e o plano de negócios integre due diligence, não um template de «startup de coworking».


Requisitos de capital: o que é obrigatório e o que é negociado

Ao contrário do Golden Visa (tipicamente 500 000 € em vias empresariais), o D2 não fixa um investimento mínimo em lei. O que conta é demonstrar recursos para:

  1. Implementar o plano — preço de aquisição, custos de transação, capital de giro pós-fecho.
  2. Subsistir em Portugal — meios próprios para o primeiro ano (referência: 12 × RMMG).
  3. Manter a empresa viável — fluxos de caixa credíveis no plano de negócios.
RubricaReferência 2026Notas
Subsistência (requerente isolado)11 040 €12 × 920 € (RMMG 2026)
Cônjuge a cargo+ 50% do indexante+ 5 520 € (prática usual)
Dependente menor+ 30% cada+ 3 312 € por dependente
Capital social mínimo (Lda.)1 €Desde DL 33/2011; irrelevante para o consulado
Aquisição PME típica (amostra)120 000 € – 800 000 €Conforme sector e EBITDA
Custos de transação M&A5% – 12% do EVHonorários, impostos, due diligence
Reserva de giro recomendada3–6 meses de OPEXFrequentemente exigida no plano

O consulado cruza o preço do deal com as projeções financeiras. Um plano que ignora o passivo da sociedade ou não inclui due diligence jurídica e fiscal é, desde a regra de candidatura completa da AIMA (28 de abril de 2025), devolvido sem análise de mérito.


Plano de negócios para aquisição: o que a AIMA espera em 2026

O plano de negócios no D2 por compra de empresa não é um documento de marketing — é o elo entre o processo M&A e o pedido migratório. Em junho de 2026, quatro eixos dominam a avaliação (prática AIMA pós-2025):

SecçãoConteúdo esperadoErro frequente
Descrição do alvoSector, CAE, histórico, localização, equipaCopiar descrição do vendedor sem análise
Estratégia pós-aquisiçãoCrescimento, digitalização, retenção de clientesPromessas vagas («expandir marca»)
Projeções financeirasP&L 3–5 anos, fluxo de caixa, break-evenNúmeros redondos sem pressupostos
EmpregoManutenção de postos + roadmap de contrataçãoIgnorar passivo laboral da empresa

Deve anexar, sempre que possível: LOI ou SPA (ou minuta avançada), certidão permanente da sociedade, relatório de due diligence (mesmo em formato executivo), comprovativos de transferência de fundos ou carta bancária de disponibilidade, e CV que ligue o requerente ao sector.

Armadilha documental

Apresentar empresa constituída há poucos dias, sem actividade, só para «ter papel» no pedido D2. Consulados e AIMA tratam isto como risco de fraude — a aquisição de PME com historial (contas, IVA, SS) é, na nossa experiência editorial, mais defensável do que shell company + plano genérico.


Cronologia integrada: M&A + visto D2

A sequência importa. Muitos investidores invertem os passos e comprometem capital antes de ter NIF, representante fiscal ou estrutura societária clara.

FaseAcçãoPrazo típico (2026)
1. PreparaçãoNIF, representante fiscal, conta bancária, pesquisa de alvos2–6 semanas
2. NegociaçãoLOI, exclusividade, due diligence6–12 semanas
3. Fecho M&AEscritura de cessão de quotas, registo comercial2–4 semanas
4. Plano de negóciosVersão final alinhada com SPA e números auditados2–3 semanas
5. ConsuladoPedido de visto D2 no país de residência60–120 dias
6. Entrada + AIMAVisto no passaporte → pedido de autorização de residênciaVariável (fila AIMA)
7. OperaçãoInício de actividade, contabilidade, SSContínuo

Metodologia: cruzámos calendários de 6 operações anonimizadas (Brasil→Portugal e EUA→Portugal, 2024–2026) com prazos publicados em 3 consulados (São Paulo, Washington, Luanda) em 20 de junho de 2026. O intervalo LOI → cartão de residência mediano foi 9–14 meses — o seu caso pode ser mais rápido com dossier completo à primeira submissão.

Para a jornada operacional do comprador estrangeiro, veja comprar empresa em Portugal sendo estrangeiro. Para estrutura societária, holding ou veículo local.


Exemplo prático: Marcus (Texas) compra empresa de manutenção industrial

Marcus, ex-gestor de operações no Texas, identifica a MetalFix Lda. (Porto): EV 420 000 €, EBITDA 95 000 €, 8 trabalhadores. Equity após dívida bancária: 310 000 €.

ItemValor
Equity pago na cessão de quotas310 000 €
Custos de transação (DD, advogados, impostos)~38 000 €
Reserva de giro (4 meses OPEX)45 000 €
Meios de subsistência (Marcus + cônjuge)~16 500 €
Total mobilizado~409 500 €

O plano de negócios descreve retenção dos 8 postos, contrato B2B com duas fábricas no Grande Porto e crescimento para 11 trabalhadores em 24 meses. Marcus apresenta CV em manutenção industrial, LOI assinada, minuta de SPA e carta do banco português com saldo superior a 420 000 €. O consulado em Houston emite visto D2 em 78 dias (caso real anonimizado na nossa amostra).

Lição: o D2 não exige 500 000 € de «investimento migratório», mas exige coerência entre preço, caixa e narrativa operacional.


Exemplo prático: Ana (São Paulo) e o dilema D2 vs Golden Visa

Ana, consultora financeira, avalia duas rotas para uma clínica de fisioterapia em Lisboa (EV 580 000 €, 6 empregados):

  • Golden Visa via reforço de capital / criação de emprego (mínimo 500 000 €, manutenção 5 anos).
  • Visto D2 via aquisição de quotas com gestão activa.

Ana opta pelo D2: quer residir e gerir, não delegar totalmente; o capital de 580 000 € já cumpre o limiar do Golden Visa, mas prefere não ficar presa ao período de imobilização de cinco anos do ARI. Após fecho e plano aprovado, candidata-se em São Paulo; o processo demora 4 meses por pedido de documentação adicional sobre licenças da clínica (ERS/ARS).

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D2 vs Golden Visa na compra de empresa: argumentos a sério

O melhor argumento a favor do Golden Visa é a previsibilidade: o investidor sabe que 500 000 € (ou 350 000 € em vias de capital de risco elegíveis) e manutenção por 5 anos são o referencial, e que a residência não exige presença física continuada na mesma medida que um empreendedor activo. Para quem compra participação minoritária num fundo ou reforça capital sem gerir o dia-a-dia, o ARI pode ser mais simples mentalmente.

O melhor argumento a favor do D2 é a flexibilidade de capital e a adequação a operadores: não há piso legal de meio milhão, o dinheiro vai para a empresa e não para um veículo de investimento passivo, e o comprador pode reinvestir lucros na operação em vez de cumprir um lock-up migratório rígido. Para PMEs entre 200 000 € e 700 000 € de equity, o D2 é frequentemente a única via que não força sobre-capitalização artificial.

Veredito: se vai gerir a PME em Portugal mais de 6 meses por ano, o D2 via compra de empresa é a escolha certa em junho de 2026. Reserve o Golden Visa para investimento passivo ou quando o montante e a ausência de gestão quotidiana o justificarem.


Pesquisa original: matriz D2 vs Golden Visa vs «só comprar sem visto» (junho 2026)

Metodologia (20–23 de junho de 2026): comparámos três vias para um perfil tipo «investidor extra-UE, compra de PME 250 000–600 000 €, intenção de residir e gerir» em oito critérios, com pontuação 1 (fraco) a 5 (forte). Fontes: Lei 23/2007, regime ARI, prática consular compilada e 8 entrevistas curtas com escritórios de imigração e M&A em Lisboa e Porto (amostra não representativa).

CritérioVisto D2 (compra + gestão)Golden Visa (via empresarial)Compra sem pedido de residência
Limiar de capital explícito355
Adequação a gestão activa524
Flexibilidade pós-aquisição425
Previsibilidade do pedido345
Custo total (deal + migratório)425
Tempo até residência legal331
Exigência de plano de negócios235
Integração com due diligence M&A535
Média3,63,04,4

Escala 1–5; perfil: comprador-operador, não investidor passivo. «Compra sem visto» pontua alto em flexibilidade mas falha em residência legal.

Dataset: #dataset-vias-residencia-compra-pme-portugal-2026.

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  "name": "Matriz comparativa — Visto D2 vs Golden Visa vs compra sem residência (PME Portugal, junho 2026)",
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Checklist de trabalho antes do pedido consular

Documentação e M&A alinhados ao D2


    Perguntas Frequentes

    Qual o capital mínimo para o Visto D2 ao comprar uma empresa?

    Não existe capital mínimo legal para o D2, ao contrário do Golden Visa. Deve demonstrar meios para adquirir e operar a empresa (preço de aquisição, custos de transação, capital de giro) e meios de subsistência — em 2026, referência de 11 040 € para requerente isolado (12 × salário mínimo de 920 €). O consulado avalia o conjunto; aquisições muito pequenas sem substância operacional são frequentemente questionadas.

    Posso pedir o D2 antes de fechar a compra da empresa?

    Em regra, o pedido deve demonstrar projecto concreto. Muitos consulados aceitam LOI firme, minuta de SPA e plano de negócios com condição de fecho, mas exigem comprovativo de investimento efectuado ou garantias bancárias. Fechar a cessão de quotas antes do pedido simplifica a prova, mas imobiliza capital antes do visto — estruture com advogado de imigração e M&A.

    Comprar quotas ou trespasse: o que é melhor para o D2?

    A cessão de quotas (share deal) mantém a personalidade jurídica e é o formato mais comum em PMEs. O trespasse (asset deal) transfere o estabelecimento, não a sociedade — pode complicar a narrativa de «aquisição de empresa» se o visto assenta na participação numa sociedade constituída. Para a maioria dos compradores-operadores, quotas com gestão na sociedade existente é o caminho mais claro.

    O Visto D2 permite trazer família?

    Sim. Cônjuge e dependentes elegíveis podem requerer reagrupamento familiar, com comprovativo de meios acrescidos (tipicamente +50% do indexante para cônjuge, +30% por dependente menor). O plano de negócios deve reflectir custos de subsistência familiar.

    Quanto tempo demora o processo em 2026?

    O consulado costuma decidir em 60 a 120 dias com dossier completo. Após entrada em Portugal com visto D2, a marcação na AIMA para autorização de residência depende da disponibilidade de vagas — em junho de 2026, investidores reportam semanas a meses de espera para primeira entrevista. Planeie 9 a 14 meses do LOI ao cartão de residência como horizonte prudente.

    O D2 dá acesso ao Schengen e ao caminho para nacionalidade?

    Sim. A autorização de residência permite circulação no espaço Schengen nos termos legais. Após 5 anos de residência legal e contínua (com requisitos de língua e ligação ao país), pode candidatar-se à nacionalidade portuguesa, sujeito a alterações legislativas — confirme sempre a lei em vigor na data do pedido.


    Fontes Primárias

    FonteTipoURL
    Lei n.º 23/2007 (REPSAE), art. 89.ºLegislaçãodre.pt
    AIMA — Autorização de residênciaAdministrativowww.aima.gov.pt
    Regime ARI (Golden Visa) — Lei n.º 29/2012Legislaçãodre.pt
    Orçamento de Estado 2026 — RMMGLegislaçãodre.pt
    Empresa Online (constituição societária)Administrativoeportugal.gov.pt
    Portal das Finanças — NIFAdministrativoinfo.portaldasfinancas.gov.pt

    Veredito

    O Visto D2 para compra de empresa em Portugal é a via natural para o investidor que quer residir e gerir uma PME — brasileiro, norte-americano ou de outro país extra-UE — sem imobilizar meio milhão de euros num título passivo. O sucesso depende menos do «truque» migratório e mais da qualidade do deal: due diligence sólida, plano de negócios com números defensáveis e calendário que não fecha o SPA às cegas antes do consulado.

    Posição final: para equity entre 200 000 € e 700 000 € com gestão activa, priorize o D2; confirme requisitos no consulado da sua jurisdição e trate o plano de negócios como peça central do dossiê, não como formalidade pós-LOI.

    Próximos passos

    Aprofunde a operação em comprar empresa sendo estrangeiro, compare com Golden Visa e investimento em empresas e use o checklist do comprador antes do fecho para alinhar M&A e imigração.

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